A FIB
Zanini H.
(alô, Clóvis Rossi, o texto é meu... e não seu...)
http://zaninih.blogspot.com/
A FIB - Felicidade Interna Bruta - é o índice que mede a taxa de felicidade de uma nação. Soma-se toda a felicidade disponível e divide-se o total pela quantidade de habitantes para obter-se a FPC, "Felicidade per capita". Ao contrário do PIB, que mede um tal de "produto" do qual desfrutam somente um terço dos brasileiros, a FIB mede o quanto dói a fome, a corrupção, a notícia de que três juízes federais estão denunciados por formarem uma máfia, os acordos com o FMI, os 10 milhões de empregos prometidos na última campanha eleitoreira e outras hecatombes. Mede, enfim, a dureza de se estar do outro lado da trincheira.
A FIB mede, portanto, a quantidade diária de sorrisos, muitos deles esburacados, que um brasileiro consegue cometer. Mas paradoxalmente e ao contrário do que se possa imaginar, ainda sorrimos. Mesmo porque é impossível se confiar em quem não sorri. E confiamos ainda em nós. Somos teimosos. Ingênuos, mas teimosos.
Uma comissão tenta excluir aquele terço que se diverte às nossas custas - os que passam o dia gargalhando - dos cálculos da FIB. Desconfia-se que esses fulanos riem mesmo é da nossa cara, o que invalidaria o índice FIB. Dizem que esse escárnio alteraria fraudulentamente o índice de sorrisos. E de fraudes esse pessoal entende mais do que nós. Descobriu-se que em seus piqueniques de proteínas, essa confraria do colesterol, essa orgia dos insensíveis, robotizados e consumidores dirigidos pelas agências de publicidade e pelos saldos das contas bancárias que mantêm em paraíso fiscais, discutem somente os meios para poderem seguirem rindo sem parar. Os banqueiros agradecem. E riem até doer a barriga.
Estudos demonstraram que o verdadeiro "risco-país" é esse aí de cima. Aumentar-se o PIB e ver diminuir a FIB. Quando não conseguirmos mais rir da situação em que nos colocaram e nos mantêm, a coisa vai ferver. Aí aquele terço vai mesmo é chorar. E eu, morrer de rir.


